
INTRODUÇÃO
São muitas as lendas, crenças e costumes espalhadas por toda a província de Santiago del Estero, localizada no norte da Argentina. É preciso fazer um exercício de afastar-nos do ritmo agitado da maioria das capitais em 2017 e imaginarmos a vida humilde no interior sanagueño. As grandes distâncias entre uma casa e outra, o difícil acesso às escolas rurais, o imenso calor, a sesta, o cuidado para não desperdiçar água, o solo seco e pouco fértil. Mas também há alegria em receber uma visita, tomar um mate dulce ou amargo acompanhado com tortilla, poder guitarrear e bailar por largas horas, ao som do bombo leguero, do violão, do violino, e do bandoneon.
Acredito que, dessa maneira, seja mais fácil ter a dimensão dessas histórias para poder melhor compreendê-las e desfrutá-las, sentir a mensagem de cada uma. Mas cuidado, porque é fácil voltar ao nosso ritmo e rotina acelerados e pensar que são apenas historinhas, às vezes bobas.
Escolhi as que acredito serem mais representavas dos lugares por onde andei e que por conseqüência, podem aparecer com mais freqüência nas letras que canto. Deixei outras de fora, com o pequeno cuidado de listar nas últimas páginas, caso haja interesse em pesquisar.
Esse livreto foi criado com a intenção de ser distribuído entre os apoiadores da campanha do disco Canto y Camino no site do Catarse. Após essa fase, decidi incorporá-lo como material complementar, de maneira gratuita, não sendo comercializado separadamente.
Todas as histórias aqui apresentadas fizeram parte da minha vivência e andança por Santiago del Estero. Foram escutadas de diversas pessoas, de diferentes lugares e com algumas versões um pouco distintas. Usei também os livros Cuentos y Leyendas Santiagueñas – costumes, creencias y mitos, de Chingolo Suarez; El país de la chacarera, de Walter Soles, além do site http://www.folkloredelnorte.com.ar para algumas dúvidas pontuais. Recomendo todos.
Sem mais, agradeço o interesse e espero que gostem. Ah! Não te esquece de levar tua imaginação para esse ambiente descrito acima. Fará toda a diferença. Un abrazo de chacarera! Marcos Saporiti
A SALAMANCA
Em Sanago del Estero é muito comum escutar expressões como músico ou bailarino “salamanquero”. Tal expressão é usada quando se quer dizer que determinado artista tem um talento raro, é virtuoso em algum instrumento ou sabe dançar com extrema habilidade. Diz-se salamanquero pois a única maneira possível para executar com tanta perfeição tais habilidades seria através do encontro e acordo com Zupay, o diabo: vende-se a própria alma em troca de alguma habilidade refinada, algum talento raro. Me lembro de ver alguns violinistas, guitarreiros tocando com perfeição seus instrumentos e logo em seguida escutar: esse só pode ser salamanquero!
A Salamanca, segundo relatos de santiagueños, ocorre campo adentro, em lugares inabitados e em regiões próximas a algum rio na província de Sanago del Estero. O convite é feito através da música. Escuta-se vindo desses lugares onde ninguém habita, alguma música convidava, às vezes um bombo leguero como que invitando para uma festa. Atraído pela música, o convidado chega até o local onde logo se depara com muitas mulheres, bebidas e tudo que for necessário para gozar os prazeres da vida.
Para entrar na festa pagã, o convidado tem que provar desde o início estar disposto a negar qualquer relação com a religião. Nega-se a Cristo e a Virgem Maria através de cuspes e outros insultos. É mais recorrente a figura do homem como pactuante.
A caverna é o próximo obstáculo. Lá dentro está o Zupay e, para chegar até ele, é preciso entrar, vencer medos e desafios. Vozes, sussurros, mãos te empurrando e puxando, animais peçonhentos, são exemplos de obstáculos. Vencendo-os, encontra-se o diabo e o pedido é feito e concedido em troca de sua alma.
Aconteceu em algumas guitarreadas em Loreto – quando chegava cedo e ainda éramos poucos – de contarem naturalmente histórias sobre a salamanca. Muitas vezes escutei sobre caçadores que, atrás de viscacha, entravam monte adentro tentando acertar sua caça e sempre erravam. Assim, perseguindo o bicho, avançavam cada vez mais por lugares inóspitos. De repente escutavam uma música vinda de uma provável festa. Alguns entendiam o recado e, aí nomás, voltavam.
Há outros relatos de forasteiros que, ao perguntar sobre a salamanca, notaram as pessoas do lugar muito serias e pouco dispostas a falar. Não tratam como uma lenda, mas como uma realidade local que tem envolvimento com o diabo e logo com questões de arrependimento. “Estás seguro que quieres que te cuente sobre la salamanca?” Alguns se retiram do lugar quando questionados. Tem-se muito respeito sobre esse tema.
São muitas as histórias sobre salamanqueros, mas foi só fevereiro de 2017 que escutei da boca de um suposto pactuante uma tentava de relato. Foi em Chilca Juliana, província de Santiago del Estero. Ele aparentava estar próximo dos 70 anos de idade. Dizia ter estado na salamanca e que sua família o havia salvo, libertado sua alma. Infelizmente não consegui entender muitos detalhes, pois, além de estarmos no meio de um festival, o relato era lento, em baixíssimo volume e com dicção claramente prejudicada pelas tantas garrafas de vinho já vazias sobre a mesa. Acreditar ou não, é outra questão. Mas foi uma experiência bastante interessante.
A relação do talento e negociação com o diabo não é exclusiva de Santiago del Estero. Na verdade, é um trato bem comum na arte – acredito que sobretudo na música. Está presente no blues quando o pactuante encontra o diabo numa encruzilhada e, também, no violino de Paganini, na Europa, no final do século XVIII. No Rio Grande do Sul, a lenda da Salamanca do Jarau tem grandes semelhanças com a de Sanago del Estero.
A TELESITA
Telésfora Castillo, popularmente conhecida como Telesita, era uma jovem órfã, com possível retardo mental, que habitava em Santiago del Estero. Segundo contam, andava vestida sempre maltrapilha, descalça. Viajava largas distâncias pedindo pouso, abrigo, comida. Sua paixão era a dança. Atraída pela música, pelo bombo leguero, que anunciavam alguma festa, se aproximava e bailava até amanhecer, de maneira cavante. Naturalmente roubava a cena, se tornava a alma dos bailes.
Dizem que, em uma noite fria, ela cansada se aproxima de uma fogueira no meio do monte santiagueño e dorme. O local se incendeia e Telesita, percebendo a irreversível situação, decide bailar até sua morte.
Há inúmeras versões sobre a vida de Telesita. Essa é apenas uma delas.
Até hoje se realizam Telesiadas, rezabailes para cumprir promessas feitas em nome de Telesita. Os promessantes oferecem uma festa, bailam sete meias chacareras. A cada meia chacarera dançada, se toma um trago de uma bebida forte – aloja, possivelmente. Quando terminadas as sete meias chacareras, se queima uma boneca (representação da Telesita) e se segue o baile com muita chacarera, gatos, zambas, escondidos, chamamés, guarachas! É comum a fartura de comidas e bebidas.
Telesita é conhecida como a santa de los perdidos. Normalmente os rezabailes em nome dela tem a intenção de encontrar um animal ou tropa perdida, algum familiar ou amigo desaparecido.
EL ALMA-MULA
Os muitos relatos que escutei contam de um grito estremecedor, de gelar a alma. Uma mistura de um grito aterrorizante de uma mulher com o de um porco sendo sacrificado. Me lembro de escutar a história de um conhecido que contava sobre sua experiência com o que, segundo ele, era el almamula.
Certa madrugada vinham por uma estrada rural no interior de Santiago del Estero três amigos, quando um dos pneus do carro furou. Desceram uns poucos minutos para trocá-lo. Já quando terminavam, foram surpreendidos por um grito vindo de longe. “Olhei para meus amigos perguntando se haviam escutado. Não sabíamos o que era”. Poucos minutos depois, voltaram a escutar o grito, dessa vez, mais perto, mais amedrontador. “nos olhamos de novo, desconfiados, mas não tínhamos nos dado conta até então.” Outra vez escutaram o grito, ainda mais perto. “Estava se aproximando. O grito era assim como contam, aterrorizante, de arrepiar, de gelar a alma. Ficamos de fato estremecidos com o grito. Nos olhamos assustados, petrificados. Entramos no carro imediatamente e seguimos viagem. Era el alma mula, chango! Era el alma mula”.
Trata-se de um animal parecido a uma mula, que corre arrastando correntes e cospe fogo e fumaça pelos olhos, narinas e pela boca. Dizem que costuma aparecer em noites que precedem uma mudança climáticas. Alma-mula, segundo contam, é o resultado de uma relação incestuosa.
Há também narravas sobre pessoas que enfrentaram el alma-mula com punhais ou armas de fogo. Costumam dizer que no dia seguinte se encontram manchas de sangue pelo caminho por onde teria fugido o animal ou até mesmo a aparição de um dos incestuosos com algum ferimento de difícil, incompleta ou superficial explicação.
Em 2017, no período em que estava gravando o disco Canto y Camino em Loreto, eu morava em um quarto em uma casa longe do centro da cidade, rodeado de campo, árvores navas e muitos animais. Era afastado de outras residências e muito escuro. Lembro de acordar, certa feita, com um grito que vinha de longe. Era um grito feio. Acordava de um sono profundo, estava bastante dormido ainda, naquele estágio de quem não sabe que horas são, onde está e nem quem se é. Ouvi outra vez o grito e, tal qual o relato, agora mais perto. Ouvi pela terceira vez e comecei a arrepiar todos os pelos do corpo. Acordei de vez! Na quarta vez que escuto, já bem desperto, reconheço o cantar de um galo. Era um cantar feio, quase irreconhecível. Não faço ideia do que aconteceu com esse galo para cantar de maneira tão rara. O fato é que, diferente dos outros relatos, esse animal era apenas um galo.
KAKUY
A lenda do Kakuy também tem relação com o incesto, ainda que muitas vezes seja contada de forma mais lúdica e adequada para as crianças. Trata-se do casal de irmãos Kakuy e Turay que ficaram órfãos ainda pequenos. Cresceram no meio do monte santiagueño, longe de qualquer vilarejo habitado, expostos a todos os riscos que oferecia o lugar. Segundo contam, Kakuy desde pequeno se ocupava da caça, da plantação do maíz, buscava mel e água fresca. Turay cuidava dos afazeres do lar, para que tudo estivesse devidamente preparado quando ele chegasse.
O irmão se tornava cada vez mais amável e solícito, enfrentado o que precisasse para levar sempre o melhor para a casa. A melhor caça, a água mais fresca e cristalina, algarrobas doces, mistol, mel, tuna. Kakuy trazia tudo que podia e já não media esforços para encontrar do melhor. Turay notava que o irmão a tratava cada vez mais caprichosamente e já a observava de outra maneira. Começou a se blindar e silenciosamente a se defender. A relação foi piorando. Kakuy voltava depois de largo dia de trabalho trazendo tudo que podia, mas já não encontrava nada em casa. A carne estava apodrecida, não tinha algarrobas, o mel havia acabado, assim como o mistol e até mesmo a água fresca. Tudo de propósito como forma de defesa de Turay.
Um dia, cansado da forma como estava sendo tratado e recebido pela irmã, sem ter sua cordialidade e anseios correspondidos, contou para Turay que havia encontrado uma árvore milenária, bastante longe. Procurou as melhores palavras para descrever a qualidade do mel lá avistado. Conseguiu convencer Turay a acompanhá-lo.
Saíram na manhã seguinte, bem cedinho. Kakuy, muito conhecedor do monte, foi guiando. Apesar de calados, todo o esforço de Kakuy para convencer Turay, a fazia crer que seu irmão estava mais amável e atencioso. Caminharam por horas até chegar na árvore milenária. Era imensa. Kakuy apontou para o topo da árvore dizendo que lá estava o mel mais puro que alguém poderia encontrar. Turay, que nunca havia afastado tanto seus pés da terra, começou a subir, com ajuda de seu irmão. Quando chegou no último galho, Kakuy começou a descer, quebrando todos os galhos que poderiam servir de apoio para sua irmã. Sem olhar para trás, foi-se até se perder na paisagem. Turay, com gritos de lamento, chamava Kakuy, buscava por seu irmão. As horas foram passando, a noite chegando e ela sozinha no topo da árvore, sem nenhum sinal de Kakuy. Já tonta, atordoada pela condição que se encontrava, percebeu, como num soco, uma mudança em seu corpo, agora repleto de penas, sua boca como um bico e, ao invés de braços, asas. Um grito paru a noite. Triste, do mais profundo lamento como quem implorava pelo retorno do Hermano Kakuy, que nunca mais apareceu. Ela se transformou na ave, de triste canto, noturna, camuflada nos galhos, imperceptível e por isso, quase impossível de encontrar.
Essa ave é conhecida em Santiago del Estero como Kakuy. Também chamada de Urutau e em alguns lugares do Brasil como mãe-da-lua. Tem o canto triste e hábitos noturnos. De dia, se camufla nos galhos das árvores sendo muito difícil encontrá-la.
Há muitas músicas que falam do Kakuy. A que teve maior repercussão se chama Hermano Kakuy, é uma chacarera simples, escrita por Juan Carlos Carabajal e que ficou conhecida nas vozes de Jacinto Piedra e Peteco Carabajal.
TANICU
No primeiro domingo de outubro, é comum encontrar os moradores de Salavina com mesas fartas, abundância de comida e bebida. Isso porque, segundo a crença, é o dia em que Tanicu passa por Salavina.
Ele é a representação da miséria, da escassez. Também chamado de deus da carestia, protetor quando há oferenda e castigador quando não prestam devida homenagem. Contam que, se Tanicu entra em uma casa onde não tenha comida, nela fica e permanece até o outubro do ano seguinte, trazendo miséria e escassez. Já quem oferece com fartura, a esses não faltará alimento durante todo o ano.
Alguns dizem que a figura do Tanicu é de um homem magro e baixo, aparentemente faminto. Também dizem que vem montado em algum animal como uma cabra que se aproxima das casas ao escutar o som do morteiro moendo o milho. Se alimenta dos grãos que caem ao redor desse morteiro. Contam que ele fica desgostoso quando batem o morteiro vazio sem grãos, já que não encontra alimento. É a festa da abundância e da alegria. Cozinhase o suficiente para sobrar. Receitas populares, características do local como o locro, a chanfaina, empanadas, tortillas salavineras. É de costume também a música e a dança.
Hoje em dia, o festival do Tanicu em Salavina é organizado no segundo fim de semana de outubro. Os motivos são para preservar o primeiro domingo como festa apenas local, mas também por questões comerciais, quando as pessoas já receberam seus salários e podem viajar a Salavina para festejar. La Fiesta de Tanicu cresceu muito nos últimos anos, sendo uma das festas que mais atraí turistas de toda a província de Santiago del Estero, Córdoba, Santa Fé, Tucumán. Toca-se chacareras, chamamés, guarachas. Há muita terra e é comum ver, durante a tarde, as pessoas acomodadas nas sombras dos algarrobos. Costuma durar até o amanhecer de Domingo.
PRIMEIRO DE AGOSTO E O CHÁ DE ARRUDA
O mês de agosto traz consigo certo receio referentes a doenças, pestes, enfermidades. É um mês onde muita gente adoece, vem a óbito. Acredita-se que tomar o chá de arruda – preparado preferencialmente a partir das plantas machos (folhas maiores) – assegura um ano a mais de vida. Por isso há o costume de receber o mês de agosto tomando um bom té de ruda macho. De fato, escuta-se muito das abuelitas que “quem supera o mês de agosto, ganha mais um ano de vida”.
A arruda, quando colocada em frente a porta de casa, é usada para afastar mau-olhado, evitar o gualicho, quase sempre fruto da inveja alheia.
Primeiro de agosto também é conhecido por marcar o fim do período de seca. Em algumas regiões da Argenna e América Lana, é dia de celebrar a pachamama (madre erra). Se abre a terra para fazer oferendas e se pede licença para plantar.
LA MUERTE DEL ANGELITO
Essa poderia ter sido uma das experiências mais marcantes em toda a estadia em Santiago del Estero. Por sorte, não precisei presenciar, apenas escutar. É considerado angelito a criança que morre muito pequena, sem cometer pecados, pura. É uma tradição muito anga que vai se perdendo aos poucos sobretudo por falta de rezadoras, as protagonistas do velório.
Quando morre um angelito não se deve chorar, mas sim celebrar. Dizem que o choro pode molhar suas asinhas impedindo-o de voar até o céu. Prepara-se todo o lugar onde é realizado o velório com lençóis brancos ou azul-claros, enfeitando com estrelas douradas ou prateadas. Uma mesa cumpre o papel de capela, adornada com velas e flores. Nela põe-se o cadáver do angelito com um par de asas de papel para que possa voar.
Durante a noite, há comida e bebida, além de muita música e dança folclóricas. A cada tanto, entram as rezadoras, quase sempre senhoras já com bastante idade, com voz gasta e afinação imperfeita, cantando alabanzas, bagualas bastante sendas.
Ao amanhecer, canta-se o Triságio. Os pais e padrinhos bailam muitas chacareras, com giros e vueltas para ajudar o vento a levar o angelito até o céu. Caso contrário, nas noites de frio, ele sente-se abandonado e pode vir a chorar perto do rancho dos familiares, pedindo abrigo.
Há muita festa, afinal, o angelito cuidará de toda a família. A ele serão dirigidas as preces dos familiares que agora terão alguém que interceda junto a Deus.
FESTAS POPULARES
Em toda a província de Santiago del Estero é comum encontrar festas populares que começam já nos primeiro dias de janeiro se estendendo até os úlmos dias de dezembro.
O ano começa com o tradicional Festival de la Chacarera, na capital Santiago del Estero. Os meses de janeiro e fevereiro são bastante agitados. Cada pueblo tem seu aniversário muito bem comemorado, seu santo para oferecer rezabailes, regado a chacareras, chamamés e guarachas.
Conheci algumas dessas festas. As Trincheras de Salavina e também o Tanicu, na mesma cidade. As Trincheras de Brea Pozo, o festival de Atoj Pozo, aniversário de Chilca Juliana, a Salamanca em La Banda, o Festival Loretano, a festa da Virgem de Loreto. Enfim, são inúmeros festivais durante todo o ano.
Em agosto se comemora o aniversário da Abuela Carabajal, família de muitos músicos referentes e importantes no folclore santiagueño. É realizado em agosto em Los Lagos, humilde bairro da cidade de La Banda. Também há importantes comemorações no mês de julho como a Marcha de Los Bombos, aniversário da Sachaguitarra, em Atamisqui, o aniversário de Sanago del Estero dia 25.
Também tem destaque os festivais de Ojo de Água, Sumampa, Mailín. São muitos durante todo o ano.
São santos populares o San Gil, San Esteban, Gauchito Gil, Telesita, Virgen de Loreto, Mama Antula.
ALGUMAS COMIDAS E BEBIDAS
ALGARROBA (BLANCA OU NEGRA) – Fruto bastante doce dá árvore algarrobo – verão.
ALOJA – Bebida alcoólica feita a parr da algarroba
AÑAPA – Sobremesa feita a parr da algarroba
ARROPE – Tem a espessura de mel. Pode ser feita de chañar, algarroba, mistol, tuna. Alguns casos, servem para fins medicinais.
CHAÑAR – Árvore e frutos. O chá de chanãr se faz a partir da casca da árvore e ajuda em enfermidades respiratórias.
CHANFAINA – Comida de origem humilde. Feita a partir de menudos de cabrito, fervidos, picados e fritos.
CHIPACO – Como uma tortilla, mas com pedaços de graxa de vaca ou de porco (chincharrón).
GUISO – Comida muito popular. Como um carreteiro, bastante condimentado. Pode ser feito com massa ao invés de arroz.
MATE DULCE – Com açúcar ou adoçante, pode-se acrescentar poleo, cedrón e outros yuyos.
MAZAMORRA – Como uma canjica. Comida humilde, rica em nutrientes.
MISTOL – Fruta avermelhada, pequena e doce. Se junta do chão para comer.
PATAY – Doce feito a partir da algarroba.
QUEBRACHO – Árvore de madeira muito dura. Foi muito usada para os dormentes dos trilhos de trem e para móveis. Também se usa para fabricar o aro do bomboleguero
ROSQUETE – Doce feito com farinha, anis, graxa de vaca ou manteiga e uma espécie de glacê. Tem forma de rosca como um donuts.
TORTILLA – Massa com graxa, farinha e água. Assada a la parrilla ou no forno de barro.
TUNA – Vermelha e amarela. Fruta com muitos espinhos finos que causam dor e coceira. Necessário cuidado para colher e descascar.
VINO SODEADO – Vinho misturado com água com gás e gelo. Também costumam tomar com Fanta ou Sprite.
MÚSICAS
ALMA DE REZA-BAILE (chacarera simples) Agustín e Carlos Carabajal
CHACARERA DEL CRESPÍN Sanago Suarez
DIGO LA MAZAMORRA (Canción) Antonio Esteban Aguero e Peteco Carabajal
DIGO LA TELESITA (Chacarera doble) Marcelo Mitre
ESCONDIDO DE LA ALABANZA (escondido) Carlos Carabajal e Hnos Simón
HERMANO KAKUY (chacarera simples) Juan Carlos Carabajal e Jacinto Piedra
LA TENTACIÓN (chacarera simples) Elpídio Herrera
TELESITA (chacarera simples) Agusn Carabajal e Andrés Chazarreta
TRADICIONES SANTIAGUEÑAS (chacarera doble) Pablo Raúl Trullenque e Carlos Carabajal